Amor e coragem que não teme o debate. Que analise a realidade e não fuja à discussão criadora, para que não se torne uma farsa. Essa é a descrição dada por Paulo Freire em sua reflexão sobre o ato de educar, presente na obra Educação como Prática da Liberdade.

 

O Patrono da Educação Brasileira nasceu em Recife, Pernambuco, no ano de 1921. Ainda que advogado de formação, optou por aplicar seu senso de justiça e cidadania a outra carreira: a docência. Através da experiência como professor de português, propôs uma metodologia inovadora de educação de adultos para ajudar a sanar um grave problema do Brasil à época: o analfabetismo.

 

O Método Paulo Freire absorvia diversos aspectos de sua abordagem sobre o que significa de fato educar: uma pedagogia crítica, que leve em consideração os diferentes contextos socioeconômicos na qual se insere. Nesse sentido, a alfabetização popular defendia que a interpretação das palavras está inevitavelmente ligada a uma interpretação do mundo e daquilo que se vive no cotidiano.

 

A repercussão e o sucesso desse experimento fizeram com que Freire participasse ativamente da formulação do Programa Nacional de Alfabetização do governo João Goulart, intensificada no início do ano de 1964. Porém, o golpe militar que veio em seguida não só extinguiu o programa como também chegou a prender o educador, acusado de subversão ao regime e de doutrinação ideológica de cunho marxista. Após a prisão, foi durante seu exílio no Chile que Educação como Prática da Liberdade foi escrito. Ainda em meio às atrocidades e consequências da ditadura no Brasil foi publicado também um de seus trabalhos de maior reconhecimento: a Pedagogia do Oprimido, mais uma ferramenta imprescindível à reflexão sobre as conexões entre educação, política e desigualdade.