Em junho de 1978 a bandeira arco-íris tremulava pela primeira vez na San Francisco Pride, nos EUA. Foi esse o marco histórico daquela que, posteriormente, seria reconhecida como um símbolo internacional da luta da comunidade LGBTQIAP+.
Seu design foi idealizado por Gilbert Baker, um ex-militar que deixou o Exército estadunidense e tornou-se costureiro, produzindo faixas e pôsteres para movimentos anti-guerra e em prol da garantia de direitos civis à população LGBT. Originalmente com oito cores (cada uma com um significado), o estandarte teve como uma de suas inspirações a música ‘Over the Rainbow’, que fala de um lugar onde sonhos se tornam realidade - remetendo ao ativismo contra a discriminação e às reivindicações por respeito e paz.
Enquanto isso, no Brasil dos anos 70 a pauta da diversidade sexual e de gênero era reprimida pela ditadura civil-militar. Tudo o que fosse interpretado como “apologia à imoralidade” entrava na mira da censura e da perseguição política. Ao mesmo tempo, a comunidade LGBT organizada nos movimentos sociais reforçava o engajamento na crescente internacional das mobilizações por reconhecimento, além de se somar às articulações populares pela redemocratização do país.
Também em 1978, aqui, foi lançado o Lampião da Esquina, jornal construído por jornalistas, intelectuais e artistas homossexuais que se propunham a falar sem ressalvas sobre o tema, buscando também a união às demais minorias sociais na oposição ao conservadorismo que perpetuava exclusões. O pioneirismo da publicação a tornou uma importante referência para outros grupos e movimentos que vieram posteriormente e que tiveram papel fundamental na oposição à ditadura no Brasil, assim como impactaram profundamente a nossa trajetória política e social.