“Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar”. Para Darcy Ribeiro, o caminho a ser percorrido era o da indignação. É nessa frase que um dos maiores intelectuais brasileiros condensa sua longa trajetória de análise sobre a formação étnico-cultural do Brasil e o que caracteriza nossa identidade, atravessada por violências e assimetrias sociais de origem histórica. 

 Mineiro de Montes Claros, abandonou a faculdade de Medicina para cursar Ciências Sociais em São Paulo. Afeito aos estudos em Antropologia, colaborou para a garantia de direitos a comunidades indígenas e também na formulação do projeto que posteriormente viria a implantar o Parque Indígena do Xingu.

 Juntamente a Anísio Teixeira, coordenou durante o governo de J.K. uma série de políticas públicas voltadas à Educação no país. Dentre elas, estava a orientação para a criação da Universidade de Brasília (UnB), da qual foi o 1° reitor. A UnB significava, nesse contexto, a consolidação de um modelo de ensino superior reformulado, fundamentado na interlocução de saberes em prol da transformação social dos problemas do Brasil, assim como uma base para o desenvolvimento de suas potencialidades. 

 Em seguida, assumiu o Ministério da Educação e Cultura a convite do então presidente Jânio Quadros, tornando-se depois chefe da Casa Civil no governo de João Goulart. Na ocasião do golpe de 1964, Darcy tentou — sem sucesso — articular um movimento de resistência à deposição de Jango. Teve seus direitos políticos cassados pela ditadura e seguiu para o exílio no Uruguai. Após um breve retorno ao Brasil, no qual é preso, deixa novamente o país. Nesse período, continuou a lecionar e a refletir sobre a educação pública, sendo reconhecido por universidades de diversos países e contribuindo para reformas educacionais em outros tantos. 

 De volta definitivamente ao Brasil, foi eleito vice-governador de Leonel Brizola no Rio de Janeiro, em 1982; posteriormente, assumiu a cadeira de senador pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). Teve papel central na formulação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional — sancionada no ano de 1996 e simbolicamente chamada Darcy Ribeiro— expressiva acerca de sua concepção sobre uma intelectualidade a serviço do povo e do Brasil.